Conheça Fordlândia, a cidade construída pela Ford na Amazônia

Com o intuito de explorar látex, Henry Ford construiu uma verdadeira cidade às margens do rio Tapajós.
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Por Luccas Monteiro em 1 de Agosto de 2013

Conheça Fordlândia, a cidade construída pela Ford na AmazôniaRuínas de Fordlândia hoje estão sendo saqueadas (Fonte da imagem: Wikimedia)

Em meio a cerca de 300 mil seringueiras, na Amazônia, é possível encontrar ruínas que parecem ter saído dos subúrbios dos Estados Unidos, com casas pré-fabricadas, cinemas, hospitais e escolas. E, de certa forma, foi isso que aconteceu: no final da década de 20, Henry Ford tentou construir no Brasil uma espécie de Detroit, cidade norte-americana cuja principal indústria é a automobilística.

Para isso, Ford contava com um latifúndio de 1 milhão de hectares nas margens do rio Tapajós, a cerca de um dia e meio de viagem de barco de Santarém, no Pará. A “cidade” planejada pelo empresário deveria abrigar milhares de trabalhadores brasileiros e estrangeiros, além de servir como fonte de látex para a produção mundial da companhia. Porém, envolto em muitas dificuldades, o projeto acabou falhando.

Conheça Fordlândia, a cidade construída pela Ford na Amazônia (Fonte da imagem: The Henry Ford/Flickr)

Terreno inapropriado e cultura conflitante

O projeto da Fordlândia começou errado. Sem saber que poderia negociar terras diretamente com o governo brasileiro — e consegui-las gratuitamente —, Henry Ford acabou comprando a propriedade de um cafeicultor por cerca de R$ 125 mil. Porém, havia um problema: a terra, montanhosa demais, também era inapropriada para o cultivo de seringueira.

Mesmo assim, a cidade começou a ser erguida em meio à floresta e o projeto foi sendo estruturado. Madeira, telhas e até mesmo as mudas das seringueiras foram trazidas dos EUA de navio. Pessoas do Brasil todo seguiam para o norte do país na expectativa de um emprego na Fordlândia, mas nem todos eram aceitos, visto que o exame médico era bastante rigoroso. Mesmo assim, muita gente sem experiência foi contratada, o que causou uma espécie de debilidade de mão de obra.

A cidade possuía vilas para administradores, com campo de golfe, cinema e piscina, e para funcionários, com estruturas mais modestas. Além disso, ali também ficava um dos melhores hospitais da região e, como se não bastasse, o salário era pago quinzenalmente e em dinheiro, algo muito bom para a época.

Mas como dizem, dinheiro não é tudo. Com o passar do tempo, os funcionários começaram a ficar insatisfeitos com regras que, na época, eram muito novas para os trabalhadores, como relógios de ponto, sirenes e regras de comportamento que desmotivavam a permanência no local. Isso gerou uma rotatividade muito grande de funcionários.

“Abaixo ao espinafre!”

Também foi na Fordlândia que aconteceu um protesto curioso. Cansados da alimentação à moda americana, os funcionários se rebelaram e prometeram greve caso a empresa continuasse a servir espinafre com tanta frequência. No lugar do vegetal rico em ferro, os moradores queriam o bom feijão brasileiro, além de peixe e farinha.

Conheça Fordlândia, a cidade construída pela Ford na AmazôniaVila dos funcionários de Fordlândia (Fonte da imagem: The Henry Ford/Flickr)

Praga e mudança de mercado

E apesar de um ou outro momento que indicaram um possível sucesso na empreitada de Ford, o projeto acabou fracassando. Além dos problemas já mencionados, as seringueiras foram afetadas por um fungo que se espalhou rapidamente.

Na floresta, as seringueiras existem com mais espaçamento entre elas e, portanto, as doenças não se espalham com essa facilidade. Mas os americanos plantaram as árvores muito próximas uma das outras, de maneira semelhante ao plantio de eucalipto.

Além disso, o aparecimento da borracha sintética também atrapalhou os planos da empresa, já que grandes potências começaram a trocar a borracha natural por essa variante. No total, Ford teria gasto cerca de meio bilhão de reais no projeto, que no fim acabou sendo vendido ao governo brasileiro por US$ 250 mil (cerca de R$ 574 mil).

Hoje, as instalações se encontram abandonadas e sofrem saques e desmanches constantes enquanto aguardam o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Via Megacurioso

Fonte: Época, Guia do Estudante, The Verge, Gizmodo



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