Como transferir suas fitas K7 para o computador

Vira a fita! Aprenda a digitalizar suas relíquias musicais salvando seus K7 em CD.
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Por Camila Camargo em 20 de Agosto de 2009

Bons tempos aqueles em que as fitas cassete passavam de mão em mão para que todos pudessem ter as músicas mais tocadas do momento e playlists exclusivos. Há quem sinta falta das históricas K7, contudo, há quem agradeça todos os dias o fato de a música digital chegar e acabar com os perrengues relacionados às antecessoras do CD.

Assim como nas fitas VHS, muitas pessoas guardam relíquias em fitas K7, que, com o tempo, vão se apagando ou se perdendo. Hoje você vai aprender a transferir o áudio das suas fitas antigas para o computador e digitalizar as músicas que embalaram grandes momentos da sua vida ou que guardam ocasiões que não podem se apagar.

O que você vai precisar

  • Um cabo P2/P2 ou;
  • Um RCA/P2;
  • Uma fita cassete;
  • Um tocador de fitas cassete;
  • Um software para gravação de áudio;
  • Placa de som;
  • Gravador de CD (opcional);
  • Espaço em disco.

O grande diferencial será o tipo de saída que seu tocador de fitas tem, já que ele pode ter saídas RCA (fig. 1) ou P2 (fig. 2). Sendo assim, o tipo de cabo que você vai precisar depende do tipo de saída do player.

Além disso, vale lembrar que ter um tocador e fitas em bom estado de conservação são fundamentais para o sucesso da transferência de áudio. No nosso caso, usamos um cabo P2/P2, ligando uma das saídas no plugue do fone de ouvido do nosso toca fitas.   

Exemplo de cabo com saída RCAExemplo de saída P2

Trabalhando com o que você tem

Há várias maneiras de realizar esta tarefa: com os cabos RCA, P2 e até aparelhos que fazem esta conversão quase que automaticamente, como o Ion Cassete Deck ou o Ion uRecord Vinyl & Cassete Ripper, que transformam o K7 em MP3 em instantes. Claro que é inviável adquirir produtos assim, a não ser que você tenha milhares de fitas para digitalizar. Do contrário, os cabos corretos, fitas e tocador de qualidade já bastam.

Conversores profissionais de K7

 Como começar

Para começar a digitalizar suas fitas, é importante frisar que seu tocador precisa ter uma saída de áudio (Line Out), já que o som sairá do tocador e entrará no seu computador por intermédio da placa de som.

Se você for usar cabos RCA, preste atenção para ligar as cores entre os conectores corretamente; se for um usar um cabo P2, lembre-se de colocar na saída de áudio (saída dos fones de ouvido) ou se você tiver uma saída AUX, também pode usar.

Como transferir suas fitas K7 para o computador

No computador

A maioria dos computadores, especialmente os mais atuais, contam com placas de som com vários tipos de entradas, porém, para transferir o áudio das fitas para ela, você vai precisar da entrada analógica (conector azul).

Depois de conectar seu tocador à placa, é hora de ajustar as configurações de volume. Para isso, clique no atalho para os controles de volume localizado ao lado do relógio e verifique se está tudo funcionando corretamente. 

Cada conector executa uma função

Convertendo o analógico em digital

Se você conseguiu fazer com que o som do seu toca fitas fosse reproduzido, é hora de utilizar um software para gravar o som analógico da sua cassete e transformá-lo em digital no seu HD. Para isso, você vai precisar de um aplicativo que grave áudio.

Sendo assim, vamos usar o Audacity, pois ele oferece a opção de gravar o áudio executado no seu computador, além de diversas alternativas para edição — e o melhor: é gratuito. Desta maneira, faça o download do Audacity e instale-o no seu computador.

Está gravando?

Assim que conectar o tocador na placa de som e se certificar que ela reconheceu a conexão, basta abrir o Audacity e clicar em “Gravar” (círculo vermelho). Obviamente, você vai precisar ajustar o volume da gravação, pois certamente haverá distorções. Para saber se o volume é o adequado para que o som saia nítido na gravação, preste atenção nos níveis de volume, pois eles indicam se o som está adequado, muito alto ou muito baixo. 

Configure o volume de gravação

Na figura acima, é possível observar as variações volume. Inicialmente, a gravação estava muito alta, o que ocasionou a distorção no áudio. Em seguida, o volume foi diminuído, e os níveis foram se encaixando dentro das linhas cinza. Posteriormente, a música foi desligada e as linhas de volume ficaram estáveis.

Você pode controlar estas variações de volume no seu tocador de fitas ou com os controles de volume do Windows na barra “Line In”. Se você quiser saber mais sobre o funcionamento do Audacity, consulte o artigo “Audacity: como gravar sons”. Depois de acertar todos os detalhes, você pode editar suas faixas com o próprio Audacity. É possível inserir efeitos, criar mais faixas ou separá-las, extrair o som dos vocais e muito mais.

Se você acha que está tudo perfeito, é hora de salvar seus arquivos. Para isso, vá até o menu “Arquivo/Exportar”. Você pode inserir o nome do artista e da faixa, criar categorias para suas músicas e muito mais em uma janela como esta.

Crie categorias para seus arquivos

Há vários formatos disponíveis no Audacity, mas os mais comuns são o WAV e o MP3. Vale lembrar que, para salvar em MP3, você vai precisar baixar uma DLL. Isso é simples, pois, assim que você solicitar que a faixa seja salva em MP3, uma pequena janela será aberta. Desta forma, clique em "Baixar" para ser direcionado ao site de downloads. 

Para salvar em MP3, você precisa de uma DLL

Obviamente, há várias opções de aplicativos para realizar a mesma tarefa do Audacity. Além dele, você pode usar o MAGIX Audio Cleaning Lab (pago), Sony Sound Forge (pago), Wavosaur (gratuito) e o GTS Studio Recorder (gratuito).

Vale lembrar que o Windows disponibiliza uma ferramenta para captura de som chamada “Gravador de Som”, mas ela é muito básica, logo, não custa nada baixar um aplicativo mais completo. Contudo, se você não quer complicação ele é ideal. 

Gravador que acompanha o Windows

Espaço em disco

É importante frisar que, além destes componentes, você também precisa ter espaço disponível no seu HD para gravar o áudio das fitas. Dependendo do formato de gravação, você vai precisar de mais ou menos espaço.

Por exemplo, se você gravar no formato WAV, cada um minuto de áudio equivale a 10 MB; já em MP3, um minuto corresponde a 1 MB. O próprio Audacity informa quanto tempo de gravação ele consegue armazenar de acordo com o espaço disponível. Estes valores eficam visíveis na parte inferior da janela do aplicativo. 

Sempre fique atento ao espaço do seu disco

Tudo digitalizado

Finalmente você digitalizou todas as suas fitas K7 e está com vários arquivos no PC ou todo o conteúdo de uma fita em um arquivo único. Se você preferir gravar as faixas em um arquivo só, sem problemas, mas, se por acaso se esqueceu deste detalhe, não se preocupe.

Você pode usar vários aplicativos que dividem arquivos de áudio. O próprio Audacity faz isso, mas há opções mais simples, como o Slice Audio File Splitter, DJ Audio Editor e o MP3 Cutter, todos gratuitos. É claro que você precisa verificar se o formato de arquivo que você gravou (MP3, WAV, OGG) é suportado pelo programa escolhido.

No Audacity, o recorte de áudio pode ser feito da seguinte maneira: selecione o trecho da música que você quer cortar e vá até o menu Editar/Separar > Criar novo. Pronto, você terá duas faixas na tela do Audacity, agora basta selecionar uma delas e Exportar com o nome correspondente.

Divida as faixas que ficaram grudadas

O que fazer?

Depois de digitalizar sua coleção de fitas do Patinho Feio, a coletânea do Roberto Carlos que sua mãe tanto ama ou o som da sua banda, é possível utilizar os arquivos de áudio das mais diferentes formas. Uma delas é a gravação das faixas em um CD.

Para isso você vai precisar de um gravador de CDs e um aplicativo que realize esta função. Além disso, você pode incluir as faixas como trilha sonora em menus de DVDs, usar as músicas para criar e editar filmes no Movie Maker ou outro editor, além de ouvir em seu Player MP3, iPod ou DVD.

Confira abaixo um trecho de uma fita K7 digitalizada. Ao longo da gravação, o volume da música sofreu variações.

Morte e vida do K7

Depois de digitalizar suas K7, você acha que será fácil se livrar delas? Com certeza a tecnologia usada na gravação das fitas já foi superada há muito tempo, mas há quem afirme que elas já fazem parte da história das pessoas e que, assim como os discos de vinil, se tornaram objetos de coleção e saudosismo.

Pelo o que parece, as fitas ainda despertam a criatividade e interesse dos designers, geeks e antenados na moda, tendo em vista que o número de objetos que usam o tema “fita K7” ainda é muito popular e considerado como venda garantida. Confira abaixo alguns objetos inspirados nos cassetes e tire suas conclusões sobre a morte e vida delas.  

Moda influenciada pelo passado

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