Enquanto no mundo dos smartphones diversas empresas lutam pelas preferências dos consumidores, a história é um tanto diferente no que diz respeito a tablets. Embora nas lojas seja possível encontrar produtos com características e faixas de preço variadas, o iPad domina o segmento de forma incontestável e parece longe o dia em que outro produto vai ameaçar seu reinado.

Depois de experimentar com diversos formatos e tamanho de tela, a Samsung parece ter se rendido à popularidade do produto com a marca da Maçã. Prova disso é o Galaxy Tab S2, produto que faz pouco para disfarçar sua “inspiração” no gadget mais popular.

Com um display de 9,7 polegadas e dimensões compactas, o tablet parece uma reinterpretação mais leve e fina do iPad Air 2 em um primeiro momento. No entanto, o uso do sistema operacional Android e algumas decisões de design da fabricante fazem com que ele não possa ser considerado somente um mero “imitador”, mas sim uma opção com personalidade própria.

Design

Não há nada muito especial em relação ao design do Galaxy Tab S2: o display toma a maior parte da área frontal, que também exibe o logotipo da Samsung e o botão Home. O dispositivo apresenta dois botões capacitivos cujas luzes internas se acendem toda vez que a tela é ligada — algo que pode ser alterado nas configurações do sistema.

O botão Home se desdobra como um leitor de impressões digitais cuja configuração ocorre de forma relativamente fácil. O formato do método de interação está longe de ser o ideal, apresentando uma área de contato reduzida que propicia erros de leitura — em outras palavras, vai demorar um pouco até você se acostumar com a maneira “certa” de desbloquear o gadget.

A lateral tem acabamento em metal e concentra o botão Power e os ajustes de volume em sua parte direita, área que também esconde a entrada para cartão micro SD. Já a parte inferior do dispositivo exibe saídas de som estéreo e conectores para fones de ouvido e para cabos micro USB.

Mesmo que o design de produto da Samsung não possa ser considerado criativo, ele resulta em um gadget bastante confortável de usar. As bordas laterais da tela oferecem espaço suficiente para você repousar seus dedos sem tocar acidentalmente em elementos interativos e o peso bastante reduzido facilita lidar com o produto usando somente uma mão.

Tela

O Galaxy Tab S2 sofreu reduções em seu tamanho de tela e na resolução das imagens em relação ao que era oferecido por seu antecessor. No entanto, a mudança mais significativa aconteceu no aspecto de tela, que passou de 16:9 para 4:3 — algo que provoca um grande impacto na maneira como você consome conteúdos.

O formato adotado pela Samsung resulta na reprodução de filmes e séries de televisão com bordas laterais “cortadas”, o que pode desagradar alguns consumidores. No entanto, o novo formato se adéqua muito bem a jogos eletrônicos e à navegação por redes sociais e sites da internet.

A tecnologia Super AMOLED usada pela Samsung resulta na exibição de elementos com cores bastante saturadas, o que ajuda a destacar elementos de jogos eletrônicos e vídeos. No entanto, a solução adotada traz como contraponto cansar facilmente os olhos caso você se dedique a atividades que exigem atenção constante, como a leitura de um livro digital.

Desempenho

Caso você esteja procurando o tablet mais poderoso do mercado, o Galaxy Tab S2 não preenche esse requisito. No entanto, o hardware do gadget é bom o suficiente para lidar tanto com tarefas diárias quanto com atividades que exigem maior capacidade de processamento, como a execução de games considerados pesados.

Seguindo um caminho distinto da Apple, a Samsung decidiu equipar o dispositivo com um processador e uma GPU menos potentes do que os vistos no Galaxy S6 ou no Galaxy Note 5. Embora isso diminua o tempo de vida útil do produto, atualmente ele oferece uma experiência de uso bastante completa entre as opções que pertencem ao ecossistema Android.

Embora atualmente a plataforma da Google esteja em um patamar semelhante ao do iOS em matéria de qualidade e recursos, a implementação usada pela Samsung tem uma vantagem clara: seu sistema multitarefa. Além de poder dividir a tela entre dois aplicativos, o usuário tem a opção de redimensionar livremente o espaço usado por cada um deles — o processo acontece de maneira intuitiva e sem nenhuma queda perceptível de desempenho.

Benchmarks

Para medir o desempenho geral do Galaxy Tab S2 em diferentes tarefas, submetemos o tablet a dois softwares de benchmark: Vellamo e 3D Mark (Ice Storm Unlimited). Os testes avaliam tanto o desempenho do produto em tarefas diárias quanto em situações que exigem maior poder de processamento e maior capacidade gráfica — quanto maior a pontuação, melhor o hardware do produto.

Software

O Galaxy Tab S2 acompanha o sistema operacional Android 5.0.2 — uma atualização para a versão 5.1.1 foi liberada no exterior, mas ainda não estava disponível no Brasil no momento em que esta análise foi realizada. A Samsung continua apostando em sua interface TouchWiz para realizar mudanças na plataforma da Google, que se refletem tanto na organização de menus quanto na maneira como notificações são exibidas.

Em geral, as alterações feitas pela empresa se tratam somente de maneiras diferentes de acessar funções que já estão presente no sistema operacional “puro”. Dessa forma, o único aspecto que pode ser considerado irritante é a insistência da fabricante de inserir uma série de aplicativos proprietários pré-instalados que não podem ser removidos.

O problema se torna especialmente evidente quando levamos em consideração que o tablet também acompanha as opções-padrão da Google, muitas delas claramente superiores àquelas oferecidas pela Samsung. Para completar, também há a presença dos aplicativos da família Office, fruto de uma parceria estabelecida entre a fabricante sul-coreana e a Microsoft.

Câmera

Um aspecto que não costuma ser destaque em tablet também não tem grande impacto na experiência oferecida pelo Tab S2: sua câmera fotográfica. A lente traseira de 8 megapixels consegue capturar fotografias com qualidade aceitável contanto que você esteja em um ambiente bem iluminado, mas tem desempenho desastroso em locais com baixa luminosidade.

Em compensação, a lente frontal aparentemente é incapaz de oferecer resultados que podem ser considerados bons. Mesmo em condições consideradas ideais, essa câmera registra imagens com baixo nível de qualidade e mostra ruídos de maneira bastante evidente.

Áudio

As saídas de som estéreo cumprem seu papel básico de permitir que você escute os sons gerados por diferentes tipos de conteúdo, mas não vão além de suas funções básicas. A intensidade de funcionamento máxima é razoável e é possível notar um pouco de distorção quando a capacidade total do produto é usada. Em outras palavras, quem gosta de ter a melhor experiência auditiva vai ter que apelar para um fone de ouvido de qualidade para realmente aproveitar o que o tablet oferece.

Bateria

O novo aparelho da Samsung oferece uma bateria com duração razoável, mas que está longe de ser a opção mais eficiente do mercado. Usado de maneira intensa, a carga do dispositivo dura aproximadamente dois dias — caso você o use de forma mais esporádica, provavelmente só vai ter que fazer uma recarga semanal para continuar utilizando o produto.

Mesmo não sendo tão resistente quanto o iPad Air 2, o Galaxy Tab S2 resistiu a quase 10 horas reproduzindo vídeos online de forma continua com seu brilho de tela ajustado para metade de sua capacidade máxima. O que decepciona é a grande demora no processo de recarga do produto, que deve ficar conectado a uma fonte de energia por aproximadamente 5 horas antes que sua bateria chegue a 100% (a partir de uma carga esgotada).

Vale a pena?

O Galaxy Tab S2 é uma boa opção para quem está procurando um tablet que concilia um bom tamanho de tela e um desempenho competente. Entre as vantagens do dispositivo em relação à concorrência está sua entrada para cartões micro SD, que permite expandir sua memória interna de forma relativamente barata.

Mesmo que a inspiração no iPad Air 2 seja clara, o dispositivo não pode ser considerado uma mera cópia do que a Apple fez. Muito disso se deve ao uso do Android, que traz uma experiência bastante diferente do iOS e agrada quem prefere mais opções de personalização e a possibilidade de baixar aplicativos de diversas fontes.

A Samsung joga seguro com seu novo tablet, apostando em uma fórmula aceita que deve agradar boa parte do público — algo que faz bastante sentido de um ponto de vista estritamente comercial. Apesar de alguns sacrifícios terem sido feitos em relação à geração anterior do produto, ele é uma ótima opção para quem é fã do sistema da Google ou não está disposto a pagar tanto por um aparelho da categoria.

No Brasil, o preço sugerido é de R$ 2.999, mas já é possível notar que, na prática, ele é vendido por R$ 2.599 — em alguns lojistas online, o valor chega a R$ 2.100. Esse valor é significativamente menor que a versão de 32 GB do iPad Air, que tem como desvantagem não oferecer opções que permitem ampliar sua capacidade de armazenamento interno.

Com um desempenho bastante aceitável e uma tela que propicia uma experiência de uso confortável, o Galaxy Tab S2 é uma boa adição ao portfólio da fabricante sul-coreana. Se temos que apontar um critério que desaponta, é o fato de o hardware não ser tão poderoso quanto o presente nos smartphones mais recentes da empresa, algo que diminui a sobrevida a longo prazo do tablet.

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