Cientistas fervem água sem que o líquido crie bolhas

Uma esfera de aço com nanorrevestimento é o ingrediente necessário para fazer com que a água atinja 100 ºC sem que bolhas sejam geradas.
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Por Felipe Arruda em 14 de Setembro de 2012

Cientistas fervem água sem que o líquido crie bolhasÀ direita, esfera com revestimento especial evita a formação de bolhas (Fonte da imagem: Reprodução/Nature)

Depois de termos nos impressionado com as características dos supermateriais, como a levitação quântica, nada como deixar a ciência nos surpreender de novo e oferecer mais avanços que, apesar de importantes, não deixam de lado o apelo divertido. De acordo com um artigo publicado pela revista NewScientist, pesquisadores desenvolveram uma nova técnica que permite ferver água sem que bolhas sejam produzidas.

Em palavras mais técnicas, o que os cientistas fizeram foi controlar o Efeito e Leidenfrost, fenômeno no qual um líquido, quando entra em contato com um corpo muito mais quente do que o seu ponto de ebulição, acaba criando uma camada de vapor que o impede de evaporar imediatamente.

Esse efeito pode causar explosões de água, caso a superfície esfrie repentinamente e a camada isolante de vapor acabe entrando em colapso. E, por isso, esse avanço também é importante para a ciência, já que o efeito pode causar explosões em usinas atômicas e reatores nucleares, caso a água líquida entre em contato com metais quentes demais.

Cientistas fervem água sem que o líquido crie bolhasÀ esquerda, esfera com nanorrevestimento evita a formação de bolhas (Fonte da imagem: NewScientist)

Porém, se a água quente puder ser mantida isolada de outro material por mais tempo, a camada de vapor pode se manter ativa até que a superfície chegue ao ponto de ebulição da água, evitando assim o risco de explosões.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores revestiram uma pequena esfera de aço com uma camada de nanopartículas que deram ao objeto uma textura mais resistente. Depois, a bolinha foi aquecida a uma temperatura de 400 ºC e mergulhada em água quente.

Em vez de borbulhar contra o metal, as gotas de água se estenderam pelas cavidades do revestimento, que acabaram preenchidos com vapor. Isso impediu a perturbação da água durante todo o tempo em que a esfera esfriava e tinha sua temperatura igualada à do líquido que a circundava.

Fontes: NewScientist, Nature



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