O doping é um problema sério que vem sido combatido em todos os tipos de esportes há muitos anos, já tendo sido ligado a grandes estrelas internacionais, como Usain Bolt, Anderson Silva e Lance Armstrong. Independentemente de esses casos terem sido confirmados ou não, o fato é que todos eles tinham relações com o suposto uso de substâncias químicas proibidas. Agora, no entanto, uma ciclista parece ter dado início oficial à era do “doping tecnológico” na modalidade.

Durante a última edição do Campeonato Mundial de Ciclocross, os oficiais da competição acusaram a esportista belga Femke Van den Driesshe, de 19 anos, de “fraude tecnológica”. Não é de hoje que se suspeita que alguns competidores colocavam motores ocultos em suas bicicletas para ganhar mais velocidade, mas o caso atual foi o primeiro registro oficial em que um ciclista foi pego durante a infração.

Para impedir que os trapaceiros consigam continuar impunes, as autoridades se recusaram a contar como descobriram a fraude. “Não é segredo que encontramos um motor. Acreditamos que esse realmente foi um caso de doping tecnológico. Nós vínhamos [testando] novos métodos de detecção, mas vocês devem compreender por que não desejamos revelar mais detalhes sobre isso”, falou o presidente da Union Cycliste Intenational (UCI), Brian Cookson.

Uma possibilidade é que os organizadores estejam fazendo varreduras em busca de frequências de rádios compatíveis com a de motores elétricos, mas isso não foi confirmado. Além disso, a UCI começou a fazer checagens nas bicicletas de alguns competidores escolhidos aleatoriamente durante grandes eventos esportivos.

Marco histórico

Femke Van den Driesshe começou a levantar suspeitas quando sua bicicleta passou a apresentar problemas mecânicos. No último domingo (31), os oficiais do campeonato confirmaram a descoberta do “doping”, e Cookson chegou a usar sua conta pessoal no Twitter para afirmar que “fraude tecnológica é inaceitável”. O presidente da UCI disse ainda desejar que os trapaceiros tenham ciência da gravidade do assunto e saibam que “não há onde se esconder”.

De acordo com a imprensa belga, a bicicleta usada pela competidora tinha cabos elétricos no suporte do assento e um motor oculto no suporte inferior. Van den Driesshe negou ser uma trapaceira e disse que o veículo adulterado pertencia a um amigo e era idêntico ao seu. “Ele deu uma volta na pista no sábado e a deixou no caminhão. Um mecânico, achando que era a minha bike, a limpou e preparou para a minha corrida”, afirmou a esportista.

O caso ainda vai ser julgado pelas autoridades esportivas, mas caso Van den Driesshe seja considerada culpada, ela receberá uma suspensão de seis meses e pode ter que pagar uma multa de 200 mil francos suíços – equivalente a cerca de R$ 791 mil, em conversão direta. Os organizadores prometeram uma investigação detalhada, mas, se a trapaça for confirmada, a esportista entrará para a história da modalidade como a primeira a usar doping tecnológico.

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