Candidatos devem usar suas redes online cautelosamente. (Fonte da imagem: Reprodução/WestBury)

Uma pesquisa realizada pela universidade de Old Dominion (Virgínia, EUA) constatou que, além dos processos padrões de seleção de funcionários adotados por empresas, a análise do perfil de candidatos em redes sociais tem se tornado prática determinante às decisões tomadas por empregadores. Isso significa que a apresentação de currículo ou o desempenho em determinados testes não são mais os únicos “portfólios” de quem está à procura de emprego.

Esta informação, porém, não causa grande espanto aos analistas de mercado: em 2009, por exemplo, um estudo conduzido pela empresa Harris Interactive trouxe à tona o fato de que 45% dos empregadores já adotavam a avaliação do perfil de candidatos em redes sociais como parte do processo seletivo de seus futuros empregados. Nesses últimos cinco anos, o cenário empregatício parece ter ficado então somente mais “antenado” às redes online.

“Este valor potencialmente ‘revelador’ pode existir porque as pessoas publicam informações de modo mais honesto através de seus comportamentos representados em perfis de Facebook do que ao preencherem formulários online”, observam os autores da pesquisa “Incremental Validity of Social Media Ratings to Predict Job Performance” (“Validade Incremental das Pontuações em Mídias Sociais para Prever a Performance de Trabalho”, em tradução livre). O artigo em xeque, publicado neste ano pelo The Daily Dot, analisou 146 trabalhadores que são também estudantes de graduação.

Há mais honestidade em postagens feitas em redes sociais, diz estudo. (Fonte da imagem: Reprodução/DigitalTrends)

O candidato adequa-se ao perfil da vaga?

De acordo com Katelyn Cavabaugh e Richard Landers, ambos autores do recente estudo, os empregadores podem identificar o quão adequado é determinado candidato a uma certa vaga justamente a partir da avaliação do que é postado nas redes sociais. “Alternativamente, traços deixados pelos perfis de Facebook de um acadêmico podem ser mais relevantes em uma situação empregatícia; mais características sociais requeridas ao trabalho podem ser coletadas através das redes sociais”, afirmam os estudiosos.

Testes de perfil perdem espaço para redes sociais. (Fonte da imagem: Reprodução/InteresingThings)

Nesse sentido, as vantagens de avaliações de candidatos a partir de perfis em redes sociais é clara quando se considera, por outro lado, o desempenho de um futuro empregado em um teste corporativo qualquer. “As `pegadas` deixadas pelas mídias sociais têm uma vantagem sobre os testes de personalidade, pois contêm registros de anos de comportamento”, consideram Cavabaugh e Landers.

Os males de se bisbilhotar a vida alheia

Apesar de se constituir como prática comum no meio empregatício, a consideração do perfil de candidatos em redes sociais como fator à conquista de uma vaga de emprego pode ser problemática. Em 2013, outro artigo publicado pelo Journal of Management avaliou o perfil online de estudantes de graduação e seus respectivos desempenhos em ambiente de trabalho; este estudo falhou na tentativa de estabelecer uma relação entre os perfis online e profissional dos entrevistados.

Discriminação e privacidade

Outro ponto delicado revelado por Philip Roth, analista de mercado contribuidor da Forbes, é o fato de que perfis de pessoas com nomes “não brancos” acabam por receber baixas notas quando avaliados online. “Nossos testes sugerem que pessoas negras ou hispânicas podem ser afetadas negativamente pelas classificações feitas a partir do Facebook”, revela Roth.

Não exponha seus dados a terceiros. (Fonte da imagem: Reprodução/Montash)

Ademais, se um candidato, por exemplo, ateu e homossexual não for contratado em função de suas respectivas orientações religiosa e sexual, processos com base em práticas discriminatórias podem ser movidos. Invasão à privacidade pode ser também a causa de debates jurídicos: algumas empresas chegam a exigir o login e senha de seus candidatos. Nos EUA, dezenas de estados criaram legislações que proíbem a tal prática; movimentos de oposição política, contudo, têm tentado barrar a proibição ao acesso de dados de candidatos a empregos.

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Dentre as recomendações feitas pelos especialistas, destaca-se a de se proteger os perfis em redes sociais – ajustar as configurações de privacidade do Facebook, por exemplo, é uma das soluções mais eficazes contra bisbilhoteiros.

Fato é que a análise da vida de candidatos em sua dimensão online é prática comum adotada por empregadores. Não pesar a mão sobre o teclado e segurar aquele comentário ácido que corrói as pontas dos dedos podem ser, dessa forma, atitudes adequadas a quem está à procura de emprego.