Apple. Eis aí uma palavra que virou sinônimo de qualidade, inovação, tecnologia, design. Entretanto, a empresa responsável por tantos produtos geniais já passou por maus bocados, mas hoje vive momentos de glória a cada novo anúncio.

Como é possível que uma marca seja tão idolatrada? Bom, ainda que a empresa tenha tido esforços de uma infinidade de funcionários, certamente o nome que a fez trilhar o caminho para o sucesso é Steve Jobs.

O homem considerado por muitos como um dos maiores gênios de todos os tempos realmente fez progresso com várias ideias, revolucionando a vida das pessoas no cotidiano. Estamos falando aqui da mente por trás do iMac, do iPod, do iPhone e também do iPad. Todo mundo conhece os frutos do homem que faz a Maçã ser o que ela é hoje.

Acontece que Steve Jobs podia até ser um gênio, mas ele não era perfeito. Na verdade, quem já leu a biografia do cara sabe que ele tinha muitos defeitos. A obra cinematográfica dirigida por Danny Boyle, que você já conhece de “127 Horas”, “Quem Quer Ser Um Milionário?” e “Trainspotting – Sem Limites”, vem justamente para desconstruir esse mito de perfeição.

Se vale a pena? Bom, o filme é fiel em vários aspectos ao que conhecemos como verdade, seguindo bem de perto aquilo que já vimos no livro. A personificação de Jobs por Michael Fassbender também funcionou de forma exemplar. Então, sim, podemos dizer que o filme vale a pena. É uma obra completa, ainda que tenha espaço para melhorias.

Nem tudo é o que parece

Aaron Sorkin já se mostrou competente ao trabalhar com a adaptação biográfica de Mark Zuckerberg para as telonas. Agora, ele repete a receita de sucesso em “Steve Jobs” com um equilíbrio acertado entre o lado genial do homem por trás da Apple e o lado irresponsável, cruel e egoísta.

O filme trata essencialmente de três fases da vida de Jobs: a primeira mostra ele como um gênio, no lançamento do Macintosh; a segunda já dá um salto para o futuro, relatando a criação da NEXT; e, por fim, mas não menos importante, temos a chegada do iMac.

Os eventos não são importantes na trama, afinal as pessoas já conhecem essa parte. Dessa forma, o filme foca nos bastidores, mostrando as discussões entre Steve Jobs, Joanna Hoffman, Steve Wozniak, Andy Herzfeld e John Sculley. A trama segue uma linha bem insistente para mostrar as mancadas de Jobs e como ele não dava o braço a torcer.

Paralelamente à parte profissional, acompanhamos um pouco da vida emocional do homem que ressuscitou a Apple.  Desde o começo do longa-metragem, o único caso retratado é o da paternidade de Lisa Brennan-Jobs, a filha que Jobs não queria assumir.

Ainda que a história avance até a década de 1990, não vemos nada sobre o casamento com Laurene Powell, tampouco informações sobre os demais filhos de Steve Jobs. É claro que o filme não é uma adaptação completa da biografia, mas talvez uma abordagem mais ampla pudesse mostrar outras facetas de Jobs.

Eu toco a Orquestra!

Dito tudo isso, podemos concluir que o roteiro é bem abrangente, dado às limitações de tempo e de proposta do longa-metragem. Entretanto, tão importante quanto as situações propostas é a forma como elas são apresentadas e, nesse quesito, somente um monstro da atuação poderia representar Jobs de forma tão impactante.

A atuação de Michael Fassbender é muito convincente — e não é de se duvidar que o ator consiga levar algumas estatuetas para casa. É claro que eu não conheci Steve Jobs pessoalmente para dizer se ele imita todos os trejeitos e feições, mas pelo pouco que vemos em vídeos, o ator se sai muito bem.

Uma pena que visualmente o ator não seja tão parecido. O figurino e a maquiagem ajudam bastante, mas não conseguem enganar e talvez incomodem em vários momentos, porque você vai reparar constantemente que está vendo apenas o ator imitando Steve Jobs e não uma representação mais convincente.

Bom, tão importante quanto Fassbender é a magnífica Kate Winslet, que já levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Globo de Ouro. A atriz se transformou completamente para interpretar Joanna Hoffman, assumindo as rédeas do roteiro em diversas partes. A maquiagem ajuda muito aqui, garantindo um rostinho diferente para a estrela que também está concorrendo ao Oscar.

A trilha sonora de Daniel Pemberton (o homem por trás de “O Agente da UNCLE”) se sobressai em muitas cenas. A sonoridade do filme, aliás, é parte fundamental, pois aquece ainda mais os discursos calorosos de Jobs, dando ênfase ao seu comportamento marcante e suas gritarias desnecessárias.

Tirando alguns pequenos detalhes, esta película certamente vem a calhar tanto para os fãs de Jobs quanto para aqueles que não conhecem o homem por trás da Apple. Enfim, Steve Jobs era um cara genial, mas talvez não fosse tão legal. O filme mostra isso e merece a sua atenção. Vá ao cinema e aproveite o espetáculo!