Como são gravadas as cenas de ação dos filmes

Saiba o que acontece nos bastidores das grandes produções de Hollywood, que impressionam pelo realismo e pela riqueza de detalhes em efeitos especiais.
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Por Wikerson Landim em 29 de Setembro de 2011

Explosões, perseguições em alta velocidade e cidades inteiras deixando de existir em um piscar de olhos. O mundo do cinema é capaz de exibir cenas que, na vida real, seriam praticamente impossíveis sem causar uma grande tragédia na humanidade ou ainda dispender um montante enorme de recursos.

Embora o que você veja nas telas, de fato, pareça estar acontecendo, na maioria das vezes as cenas de ação não se desenrolam exatamente assim. Para que tudo saia perfeito, conforme manda o roteiro, o trabalho pode envolver centenas de pessoas e, é claro, muitos efeitos especiais.

Mas como são criadas as grandes cenas dos filmes que impressionam você nas salas de cinema? O Tecmundo apresenta algumas das tecnologias utilizadas na gravação de sequências como essas. Prepare-se para se surpreender e perceber como, muitas vezes, tudo o que acontece é bem mais simples do que parece.

Russian Arm: um braço amigo

Gravar cenas de ação em alta velocidade não é uma tarefa prática. Em primeiro lugar, é preciso levar em consideração a segurança dos veículos envolvidos. Sendo assim, em um lugar delimitado e fechado, com carros guiados por profissionais (geralmente os dublês dos atores), inicialmente é feito um traçado do caminho que os automóveis e a câmera devem seguir.

Criado pela empresa Filmotechnic, o Russian Arm nada mais é do que uma câmera montada sobre uma grua móvel e que pode ser fixada sobre um veículo. Seu diferencial está, fundamentalmente, na estabilidade de imagens. Mesmo em altas velocidades, o equipamento elimina por completo as vibrações, fazendo parecer que a imagem foi filmada em um ponto estável.

No total, a composição pesa 300 kg, sendo apenas 24 kg da câmera e o restante para contrapesos e estrutura. Para garantir maior amplitude aos movimentos, um braço articulado e um giroscópio se encarregam de fazer com que as lentes se desloquem até alturas maiores. Assim, é possível elevar a câmera a até 4,3 metros da base. Além dos deslocamentos verticais e horizontais, a câmera pode ainda girar 360 graus em apenas seis segundos.

Durante uma filmagem, a câmera com o Russian Arm é colocada em um veículo auxiliar. Um motorista de precisão, um operador para o braço robótico, controlado via joystick, e um técnico compõem esse veículo. As imagens capturadas pela câmera são exibidas em oito monitores. O vídeo gravado pode ser transmitido a uma distância de até 300 metros para a base de filmagem.

Bastante popular na indústria cinematográfica, você pode conferir um pouco mais sobre ele no vídeo acima ou ver o resultado final do trabalho em filmes como “Homem de Ferro 2”, “Missão: Impossível 3”, “Velozes e Furiosos”, “Harry Potter e as Relíquias da Morte” e “O Incrível Hulk”.

Recursos digitais: o CTRL + C e CTRL + V no cinema

Grandes cenas de batalhas costumam envolver centenas de figurantes. Entretanto, embora possamos visualizar, muitas vezes, milhares de pessoas na tela, dificilmente todas elas são reais. O que acontece, na maioria dos casos, é um processo digital de multiplicação dos atores envolvidos.

Um exemplo: em uma batalha com cem pessoas, o diretor, juntamente com o diretor de fotografia, posiciona os atores de forma que constituam pequenos grupos. Esses grupos são “recortados” no computador e “colados” em outros pontos da cena. Graças à grande quantidade de envolvidos na cena e à rapidez com que eles aparecem na tela, o espectador não percebe a duplicação.

Quando combinados com outras modificações de fundo, o resultado são cenas hiper-realistas e que, de fato, convencem o espectador de que tudo o que acontece diante dele foi verdadeiramente filmado. Um bom exemplo de uma cena como essa pode ser vista no filme “Troia”. Em uma das sequências, um plano geral mostra centenas de barcos chegando para uma batalha.

Fundos verdes: a base de tudo

Enviar atores, diretores, técnicos e cinegrafistas para certas localidades do planeta nem sempre é uma tarefa viável. Alguns lugares são de difícil acesso e envolvem risco de morte para todos os participantes. Além disso, o orçamento de algumas produções ficaria demasiado alto caso fosse preciso incluir neles seguros de vida para atores conhecidos em situações de risco.

Dessa forma, visando minimizar custos, muito do que é produzido no cinema é gravado diante de telas verdes, os chamados chroma keys. Colocado diante de uma tela neutra, o ator grava todas as expressões e movimentos, simulando como se estivesse no local sugerido no roteiro do filme.

Transferidas para o computador, as telas verdes de fundo dão lugar a imagens previamente capturadas em qualquer outro ponto do planeta. Em seguida, basta equalizar as condições de iluminação e texturas e o resultado é algo capaz de enganar até mesmo os cinéfilos mais atentos. O exemplo de maior sucesso da utilização desse método é o filme “Avatar”.

Destruição em pequena escala

Outra técnica bastante utilizada pelas grandes produções, em especial até o final da década de 90, era a simulação por meio de maquetes. Para isso, cenários inteiros eram construídos em pequena escala e toda a ação era filmada como se fossem as miniaturas a atração principal do filme.

Depois de receberem um tratamento prévio no computador, as imagens ganhavam a aplicação dos demais elementos de cena, como os próprios atores envolvidos na ação. A junção das imagens, agora em escalas iguais, forma a composição da sequência, e o resultado final é algo tão verossímil que, se não fosse revelado, talvez você nunca percebesse. “Independence Day” é um exemplo de filme onde o recurso foi utilizado com abundância.



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