Tudo o que você precisa saber sobre energia estática

Choques em trincos de portas e componentes eletrônicos queimados com o toque de dedos. Saiba mais sobre esses fenômenos e o que você pode fazer para evitá-los.
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Por Felipe Arruda em 7 de Dezembro de 2011

A energia estática pode ser divertida, mas também prejudicial a eletrônicos

A cena é clássica e já foi usada até em filmes de Hollywood: a pessoa atravessa a sala, caminhando sobre o carpete do escritório ou da casa e, ao tentar abrir a porta, leva um choque no trinco. Muitas vezes, é possível até mesmo ouvir um estalo ou ver uma pequena faísca saindo do contato entre a mão do sujeito e a maçaneta.

No inverno, algo semelhante costuma acontecer. Ao retirar uma blusa de lã, é comum ouvirmos uma série de barulhinhos, como se pequenas descargas elétricas estivessem acontecendo naquele momento. E acredite: elas estão!

Ambas as situações descritas acima são causadas pela energia estática, o acúmulo de cargas elétricas na superfície de objetos e até dos nossos corpos.

Energia estática na prática

A Ciência, por si só, já é divertida. Mas fica ainda melhor quando podemos colocar a teoria em prática e constatar a existência de fenômenos físicos. Por isso, antes de cairmos no papo sobre o átomo e suas partículas, preparamos duas experiências que ajudam a presenciar os efeitos da energia estática. Vamos a elas!

1. Distorcendo a água

Com a energia estática é possível desviar um pequeno fluxo de água de seu curso natural. Para isso, você precisará de:

  • 1 balão de festa de aniversário;
  • 1 torneira aberta.

Antes de tudo, encha o balão de ar. Depois, esfregue o balão rapidamente sobre sua cabeça. Se, por acaso, você tiver passado no vestibular e estiver careca, friccione o balão contra um tapete ou uma blusa de lã. O efeito será o mesmo e a superfície do balão ficará estaticamente carregada.

Depois, abra levemente a torneira, para que escorra um pequeno filete de água. Ao aproximar o balão da água, é possível vê-la se inclinando, sendo atraída pela bexiga. Caso a água encoste no balão, as cargas serão equilibradas novamente e o efeito deixará de ocorrer.

A propósito: se você precisar usar o mesmo balão para decorar uma sala e estiver sem fita adesiva, pode friccioná-lo novamente contra o seu cabelo e, depois, encostá-lo na parede do cômodo. A energia estática se encarregará de manter o balão grudado à parede, como se estivesse colado.

2. Balões que se repelem

Cargas opostas se atraem e similares se repelem. Isso é fácil de constatar com pedaços de ímãs. Mas também podemos verificar essa regra com a energia estática. Antes, será necessário obter os seguintes objetos:

  • 2 balões de festa;
  • um pouco de linha; e
  • 1/2 cartolina.

Encha os balões e amarre cada um deles em uma das extremidades da linha. Depois, friccione os balões em uma blusa de lã ou no seu próprio cabelo. Ao suspendê-los, segurando-os pelo fio de costura, eles se manterão afastados um do outro, já que ambos possuem a mesma carga.

Porém, ao posicionar a cartolina entre os balões, eles são atraídos pelo papel, que possui uma carga diferente. Ao retirar a cartolina, os balões voltam a se afastar. O efeito é semelhante ao do vídeo acima.

Mas afinal, como surge a energia estática?

Tudo o que você precisa saber sobre energia estática

Para começar, dê uma olhada ao seu redor. Tudo o que você vê ― e até aquilo que não consegue enxergar, como o ar ― é composto por átomos. Nós, seres humanos, também não escapamos disso: somos um amontoado de átomos. E, grosso modo, podemos dizer que os átomos são formados por três partículas com cargas elétricas diferentes:

  • prótons, que possuem carga positiva;
  • elétrons, com carga negativa; e
  • nêutrons, que não possuem carga.

Prótons e nêutrons se concentram no núcleo do átomo e, normalmente, não saem de lá. Já os elétrons orbitam esse núcleo e possuem um pouco mais de liberdade, podendo, inclusive, mudar de um átomo para outro. Assim, quando um átomo perde elétrons, ele possui mais carga positiva do que negativa. E aquele que ganha elétrons acaba com mais carga negativa.

Alguns materiais, chamados de isolantes, não favorecem a movimentação de elétrons através deles, como o vidro, plástico ou tecido. Em contrapartida, os materiais chamados de condutores permitem que os elétrons passeiem livremente por eles. Esse é o caso dos metais, por exemplo.

Quando dois materiais isolantes diferentes são esfregados juntos, elétrons são transferidos de um material para o outro. Quanto mais tempo eles forem esfregados, mais elétrons serão transferidos e maior será a carga elétrica acumulada pelos objetos. A energia estática é o acúmulo dessas cargas nas superfícies dos objetos.

O caso do choque na porta

Tudo o que você precisa saber sobre energia estática

Já ouviu falar de que os opostos se atraem? Pois, neste caso, a regra é levada muito a sério. Se dois objetos possuem cargas elétricas opostas, eles se atraem. Caso as cargas sejam iguais, eles se repelem, ou seja, se afastam um do outro. Com isso em mente, fica mais fácil entender por que as pessoas podem tomar choque ao abrir a porta.

Ao caminhar sobre um carpete, o corpo da pessoa acumula elétrons que se desprendem do “chão”. Ao tentar abrir a porta, essa carga negativa acaba sendo transferida para o metal do trinco, que é um material condutor. É nesse momento que a pessoa sente o choque estático.

O evento é mais frequente no inverno, quando o ar está mais seco. Durante o verão, a umidade do ar acaba aliviando a carga elétrica extra que o corpo humano pode carregar. Por isso, uma das formas de evitar choques estáticos é manter um umidificador no ambiente.

Energia estática pode danificar seu PC

Livre-se da energia estática antes de mexer nos componentes do PC!

Apesar de parecer inofensiva, a energia estática pode causar danos irreparáveis a algo que gostamos muito: os componentes de nossos computadores. Não é à toa que técnicos que trabalham com manutenção de PCs se preocupam, constantemente, em se livrar das cargas acumuladas em seus próprios corpos. Caso contrário, eles podem descarregar essa eletricidade, sem querer, nos componentes eletrônicos que estiverem manuseando.

Para ter uma ideia de quão devastadora pode ser a energia, basta saber que uma pessoa chega a acumular uma carga de 12.000 volts em seu corpo ao caminhar sobre um carpete, sendo que apenas 10 volts seria o suficiente para danificar um microchip. Felizmente, essa energia não costuma trazer riscos à vida humana, já que possui baixa amperagem.

Sendo assim, antes de iniciar a manutenção em seu PC, lembre-se de se livrar de toda a energia estática presente em seu corpo. Para isso, você pode encostar suas mãos em superfícies metálicas não pintadas, como a fonte de alimentação do computador. Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo Manutenção de PCs: como manusear as peças?.

Como evitar a energia estática

Pulseiras antiestática ajudam a evitar danos aos componentes eletrônicos

Mesmo que você não trabalhe com a manutenção de computadores, pode ser que queira ficar livre dos pequenos choques ou pelo menos reduzir, ao máximo, as chances de acabar queimando um pente de memória ou disco rígido ao manuseá-lo. Para isso, existem diversas dicas que podem ser seguidas para reduzir o acúmulo de energia estática no próprio corpo.

Para começar, é necessário evitar, ao máximo, o contato frequente com outros objetos. Afinal, a maneira mais fácil de ganhar ou perder elétrons é friccionar suas mãos ou pés em objetos como tapetes e blusas de lã. E por falar em roupas, tente usar sempre peças feitas de fibras naturais, como o algodão, já que fibras sintéticas (como nylon e poliéster) costumam acumular mais energia estática.

Já que estamos falando de boa aparência, cabe mais uma dica: quem costuma secar os cabelos antes de pentear pode usar um secador com emissor de íons, que ajuda a neutralizar a carga acumulada nas madeixas.

Além disso, há também as pulseiras antiestáticas, que podem ser usadas diariamente. Porém, não adianta apenas carregá-las no pulso: é necessário que elas sejam conectadas a um sistema de aterramento para que a energia seja descarregada.

Os mais corajosos podem apelar para dispositivos emissores de partículas alfa, construídos com polônio. A princípio, esses dispositivos são inofensivos, mas vale a pena avisar que o polônio é considerado como o mais letal de todos os venenos. Vai arriscar?



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