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Ciência

Cientistas criam anticorpo capaz de atacar 99% das variações de HIV

Novidade foi classificada pela Sociedade Internacional de Aids como um “avanço emocionante”

schedule22/09/2017, às 13:07

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Um grupo formado por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos Estados Unidos, e da empresa farmacêutica Sanofi criaram em laboratório anticorpos superdesenvolvidos capazes de atacar 99% das cepas de HIV. O feito é ainda mais significativo por ser capaz até mesmo de prevenir a infecção em primatas.

Um dos grandes obstáculos enfrentado por pessoas infectadas com HIV é a capacidade apresentada pelo vírus de sofrer mutações, dificultando assim o controle sobre ele. Isso sobrecarrega o sistema imunológico, que está sempre combatendo um número de cepas bastante variado.

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Quando um corpo está infectado há muito tempo, ele desenvolve os chamados “anticorpos de ampla neutralização”, capazes de combater o vírus de forma mais potente ao atacar as principais variações das cepas. É exatamente esse tipo de anticorpo que os cientistas criaram e querem utiliza tanto no tratamento quanto na prevenção do HIV.

Na opinião da Sociedade Internacional da Aids, a novidade traz 'um avanço emocionante' para a luta contra a doença

De acordo com estudo publicado na revista Science, o método desenvolvido pelos pesquisadores combina três variações desse tipo de anticorpo, formando assim o anticorpo superdesenvolvido. Durante os testes, os 24 macacos que receberam os superanticorpos não desenvolveram a infecção quando o vírus do HIV foi incubado.

“Eles são mais potentes e têm uma amplitude maior do que qualquer anticorpo natural que tenha sido descoberto", disse o diretor científico da Sanofi e um dos responsáveis pelo estudo Gary Nabel em entrevista à BBC. “Estamos conseguindo cobertura de 99% e com concentrações muito baixas do anticorpo.”

Avanço emocionante, afirma a IAS

“Esse estudo traz um avanço emocionante”, define a professora Linda-Gail Bekker, presidente da Sociedade Internacional da Aids (IAS). “Esses anticorpos superdesenvolvidos parecem ir além do natural e podem ter mais aplicações do que imaginamos até agora. É cedo ainda e, como cientista, espero que os primeiros ensaios sejam iniciados em 2018. Como médica na África, sinto a urgência de confirmar essas descobertas em humanos o mais rápido possível”, complementou.

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