O progresso da aviação está entre alguns dos maiores avanços tecnológicos do mundo, considerado verdadeiramente revolucionário, e até hoje as aeronaves e seus diferentes modelos, sempre mais modernos, seguros e rápidos, fascinam milhões de pessoas.

Contudo, esse nem sempre foi o caso, principalmente quando dezenas de aeronaves mais simples, menores e modestas foram desenvolvidas décadas atrás.

O início da aviação trouxe alguns aviões um tanto desastrosos, que não funcionaram direito, ocasionando prejuízos enormes e até mesmo acidentes. Até que os aviões se aprimorassem como vemos hoje, foram necessários muitos testes, projetos e cálculos de centenas de engenheiros. Entre as muitas aeronaves que não foram consideradas bem-sucedidas, por várias razões, selecionamos alguns dos exemplos mais marcantes aqui no TecMundo (a compilação não está em ordem de gravidade):

1 – Vought F7U Cutlass

A Vought produziu alguns dos caças mais bem-sucedidos da Marinha dos Estados Unidos, como o F4U Corsair (utilizado no Pacífico nos confrontos com o Japão) e o F-8 Crusader (usado nas investidas no Vietnã). Em paralelo, outros modelos também foram desenvolvidos – considerados mais inusitados – dos quais o F7U Cutlass é, provavelmente, o maior exemplo.

Projetado para modernizar a Marinha dos Estados Unidos, o F7U Cutlass acabou se tornando um avião perigoso e de baixo nível de confiabilidade, apresentando inúmeros problemas já em seus testes. Vários pilotos perderam as suas vidas devido aos erros do F7U Cutclass até que eles fossem identificados e corrigidos. Esse avião possuía um design bastante único para o período, com asas maiores que substituíam a cauda-padrão, supostamente conferindo maior estabilidade – algo que não foi concretizado.

Os voos do Vought F7U Cutlass eram extremamente instáveis, e dos três protótipos que iniciaram os testes em 1948, dois foram destruídos nas primeiras semanas. No vídeo no topo do texto, podemos conferir alguns dos testes realizados em 1995, que apresentavam aeronaves com problemas na aterrissagem. Apesar de os voos serem rápidos, tanto a decolagem quanto a aterrissagem eram os momentos mais críticos do avião, que logo obteve má reputação. Dos 320 modelos fabricados, aproximadamente 1/4 foi perdido em acidentes.

2 – PZL M-15

O avião polonês PZL M-15 é, provavelmente, um dos modelos mais esquisitos que já foram desenvolvidos, caracterizado por ser a única aeronave a jato agrícola biplana do mundo. Nos anos 70, as autoridades soviéticas sentiram a necessidade de substituir as suas frotas agrícolas por modelos mais novos e econômicos, capazes de pulverizar as fazendas coletivas de modo mais eficiente.

O PZL M-15 foi projetado nesse contexto, pelos poloneses, sob encomenda da URSS. Entre as exigências feitas pelos soviéticos, estava o fato de a aeronave ter que utilizar um motor a jato, algo até então inédito em aeronaves do tipo. Com a aplicação da aerodinâmica correta (conferindo esse visual peculiar), o M-15 conseguia voar 160 quilômetros por hora – um dos aviões a jato mais lentos do mundo.

Infelizmente, o PZL M-15 não fez jus às expectativas. Ele se tornou muito caro para ser produzido, além de consumir muito mais combustível do que outros modelos. Das 3 mil aeronaves encomendadas pela URSS, os poloneses só entregaram 175 antes que o projeto fosse cancelado por completo. Alguns historiadores, além das pessoas que acreditam em teorias da conspiração, dizem que o propósito do PZL M-15 era muito mais sinistro: iniciar um tipo de guerra química na Europa. Seja como for, isso provavelmente também não funcionaria.

3 – Yakovlev Yak-38

Apesar das similaridades visuais que o Yakovlev Yak-38 possui com o Harrier Jump Jet (famoso caça britânico VTOL), o modelo soviético é bastante inferior. Produzido pela empresa aeroespacial Yakovlev, o Yak-38 utilizava muito mais combustível na hora de decolar do que o rival Harrier Jump, já que as diferenças no design do motor eram enormes entre os dois modelos.

Esse foi o fator mais crítico da aeronave, pois limitava significativamente as possibilidades de combate com o Yak-38, permitindo que ele só voasse direto por 1,3 quilômetros, e isso sem estar armado. Em condições meteorológicas extremas, como tempo muito quente, o avião só conseguia voar por 15 minutos, tornando-se totalmente inútil como interceptador da frota.

Além dessas falhas, o Yak-38 também teve problemas de engenharia. Com espaço para somente quatro armas, os pilotos mal tinham qualquer armamento para enfrentar aeronaves inimigas. Por último, ele estava entre os aviões mais perigosos de se pilotar na época. Ele só podia voar por 22 horas de modo seguro; depois disso já tinha que passar por revisões completas, pois as suas mecânicas o tornavam muito propenso a desenvolver erros fatais.

4 – Bristol 188

O Bristol 188 foi um avião supersônico bastante ousado, projetado para impressionar já com o visual futurista que detinha. Os comandantes da Força Aérea Real do Reino Unido queriam que avião atingisse a impressionante velocidade Mach 2.6 (aproximadamente 3 mil quilômetros por hora), o que faria com que o lado externo da aeronave ultrapassasse mais de 300° Celsius.

Por isso, o Bristol 188 foi construído com as técnicas mais modernas da época (o primeiro voo foi em 1962), com fuselagem de aço inoxidável e um design estreito e alongado. Contudo, desde o começo ele teve problemas sérios de engenharia. Os tanques não conseguiam reter o combustível durante o voo (os vazamentos eram constantes), fazendo com que o tempo de voo fosse drasticamente limitado.

Além disso, controlar o Bristol 188 adequadamente foi considerado algo muitíssimo complexo, mesmo para os pilotos experientes. Com velocidade de decolagem por volta de 480 quilômetros por hora (uma das maiores na época), o avião precisava de uma pista extremamente longa. Entretanto, o ponto mais frustrante do Bristol 188 foi que ele jamais foi capaz de atingir a velocidade Mach 2.6, tornando-o inútil para o propósito imaginado. Depois de inúmeras tentativas dos engenheiros de solucionar as falhas do avião, o governo britânico cancelou o projeto.

5 – Baade 152

O Baade 152 foi o primeiro avião alemão a jato para passageiros, um projeto encabeçado pela Alemanha Oriental. Contudo, ele nem chegou a entrar em operação comercial. Construído em Dresden (entre 1956 e 1961), o Baade 152 teve três protótipos apresentados ao público, sendo que somente dois deles realmente chegaram a voar em testes.

Um aspecto curioso é que o design do Baade 152 foi inspirado em vários conceitos de aeronaves dos anos 40, e por isso ele parece ser, visualmente falando, mais um avião militar do que comercial. No segundo voo de teste, o avião entrou em pane e sofreu um acidente, resultando no falecimento de toda a tripulação. Depois disso, os engenheiros fizeram modificações na configuração do trem de pouso, além de descobrirem novas falhas.

Mais testes em solo foram realizados, e o Baade 152 não se mostrou confiável e nem estável – os motores simplesmente paravam de funcionar em determinadas situações. Com mais de 20 modelos já na linha de construção, o projeto foi totalmente cancelado pela Alemanha Oriental (trazendo prejuízos milionários), com muitos dos engenheiros fugindo para o lado Ocidental do país. Até hoje, o Baade 152 é a única aeronave nativa da Alemanha Oriental.

6 – Tupolev TU-144

O Concorde ficou bem conhecido nos anos 60, desenvolvido em conjunto pelo Reino Unido e pela França. Do outro lado do continente, os soviéticos projetaram o Tupolev TU-144, extremamente parecido com o Concorde (e que voou dois meses antes do rival), porém com configurações completamente diferentes de motor e de controle – inclusive, ele é tido como um dos piores aviões que já circularam pelo mundo.

Há algumas teorias de conspiração que envolvem o Tupolev TU-144 e o Concorde, especialmente por eles serem tão parecidos externamente. Algumas pessoas alegam que o time do Concorde sabia que os soviéticos roubariam o projeto, então propositalmente deixaram que alguns dados da aeronave vazassem – contudo, todas as informações apresentavam falhas. Não há como saber se isso é verdade, porém é inegável a semelhança dos dois modelos.

O projeto já teve problemas desde o início, quando o primeiro protótipo explodiu ainda no ar em 1973. Depois de alguns voos comerciais, ficou bem claro que as aeronaves demonstravam baixa confiabilidade, com 22 dos 24 sistemas falhando em pleno voo. Por isso, as autoridades soviéticas limitaram em 70 o número de passageiros por aeronave (apesar dos erros óbvios, os aviões continuaram a circular).

Contudo, depois de 50 voos, o Tupolev TU-144 se mostrou problemático e arriscado demais para continuar sendo usado, e todas as aeronaves foram desativadas. Curiosamente, um modelo dessa linha foi comprado pela NASA para ser utilizado como veículo de testes em pesquisas.

Você por acaso sabe de outros modelos de aviões, sejam mais antigos ou recentes, que também são tidos como desastrosos e fracassados? Comente no Fórum do TecMundo.