Em um megaevento no fim de fevereiro, a Embraer apresentou a segunda geração da sua família de jatos comerciais: os E-Jets. Ela mostrou o primeiro protótipo do E190-E2, que será a sua aeronave intermediária pelos próximos anos, a qual tem capacidade para levar até 106 passageiros e passou por algumas mudanças no design e na fabricação que a tornaram bem mais eficiente que seus antecessores.

Além desse avião, a Embraer ainda trabalha no E195-E2, o maior da família, com capacidade para até 132 pessoas, e no E175-E2, o menorzinho, para 88 passageiros. Essas três aeronaves são as apostas da fabricante para se manter na liderança global nos próximos anos, uma vez que já domina 50% do mercado de aviões de até 130 lugares.

O voo inaugural do E190-E2 deve acontecer em algum momento do segundo semestre deste ano nas instalações da Embraer em São José dos Campos (SP) com esse mesmo protótipo que a empresa mostrou na apresentação. Contudo, esse modelo só entra em serviço no começo de 2018. O maior avião dos três fica para 2019 e, por fim, o menor segue para o ar em 2020.

Mercado

A Embraer vê seus novos jatos como verdadeiros sucessos comerciais. Antes mesmo de um deles alçar o primeiro voo, a companhia já vendeu 267 unidades dos três modelos e tem mais 373 opções de compra, que são basicamente sinais de negócio para adquirir os aviões no futuro por um preço pré-fixado.

Considerando que o modelo mais básico começa em US$ 50,8 milhões para o E175-E2, valor que passa para US$ 58,2 milhões pelo E190-E2 e termina em US$ 65,6 milhões pelo E195-E2, a Embraer deve receber quase US$ 30 bilhões nos próximos anos só com as encomendas já feitas por sete empresas aéreas, o que inclui a brasileira Azul.

Até o fim do projeto de pesquisa e construção, a Embraer deve investir US$ 1,7 bilhão, majoritariamente de recursos próprios. Ou seja, mesmo não considerando os valores gastos na produção de cada aeronave, é possível imaginar que o retorno financeiro seja muito vantajoso.

Os maiores mercados da Embraer para essa segunda geração de aviões são os EUA, a China e o Brasil, que tinha um projeto federal para incentivar a aviação regional, mas que está paralisado por conta da crise econômica.

Economia

A grande vantagem que a Embraer comenta acerca dos novos E-Jets é a economia de combustível. Eles devem gastar 24% a menos por passageiro para voar a mesma distância que os modelos equivalentes da primeira geração. Fora isso, o alcance máximo dos três novos aviões foi aumentado em relação aos antecessores.

Com um único abastecimento, o E175-E2 poderá voar até 3.555 km, enquanto o E190-E2 faz 5.185 km com mesma condição. O E195-E2, apesar de ser maior, não consegue bater o modelo intermediário em alcance, ficando “apenas” com 3.704 km.

Segundo a fabricante, esses aviões ainda trarão uma economia de até 25% no custo de manutenção periódica, o que deve manter os preços das passagens aéreas estáveis mesmo com aumentos em outras frentes, como combustível e pessoal.

Engenharia

Foram destacados três pontos cruciais para a melhoria na eficiência dos novos jatos da Embraer. A companhia comentou na conferência de imprensa, na qual o TecMundo esteve presente, que trabalhou muito no formato da asa, que lembra um pouco a de uma gaivota.

Ela foi toda feita em metal, que é mais barato do que o composto utilizado em aviões maiores. Isso só pôde acontecer por conta do tamanho controlado das aeronaves, que ainda receberam uma envergadura 5 metros maior.

O novo formato de asa foi desenvolvido pelo fato de a turbina adotada nessa geração ser bem maior que aquelas encontradas na primeira. Como a Embraer não queria tornar os aviões muito altos — mais distantes do chão quando estacionados —, a asa ganhou uma curvatura especial. Com isso, a acessibilidade não foi comprometida.

Por fim, o centro de gravidade foi deslocado um pouco para trás, a fim de tornar os voos mais eficientes no geral. Isso e as duas outras mudanças mencionadas ajudaram na economia de combustível.

Foi comentado também que pilotos que já trabalham com os E-Jets de primeira geração poderão operar os novos modelos depois de apenas três dias de treinamento. Agora só falta a gente poder voar neles.

O que você achou da segunda geração dos E-Jets da Embraer? Comente no Fórum do TecMundo