As guitarras de hoje... E de amanhã

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Concebida em 1954, fruto de uma parceria entre Leo Fender e George Fullerton, a Fender Stratocaster representou uma verdadeira inovação no design de guitarras. Afinal, eram várias inovações: trêmolo (ponte) com maior ação e mais confiável, corpo com design ergonômico e uma configuração de captadores que acabou pautando toda a indústria pelas décadas subsequentes.

Mas a Fender não foi a única a tirar da cartola algo novo, é claro. Na verdade, duas décadas antes, a Electro-Voice introduziu a invenção cultuada por grande parte dos guitarristas de metal atualmente: o captador estilo “humbucker” — por incluir uma segunda bobina, o formato podia eliminar ruídos, conforme o nome indica. Isso para não falar dos captadores ativos de Ron Wickersan e da ponte flutuante de Floyd D. Rose.

Entretanto, embora os louros pelo advento da guitarra elétrica até hoje repousem sobre a inventividade de marcas dominantes de meados do século passado, é fato que a guitarra elétrica seguiu se desenvolvendo e incorporando novas funções. E, mesmo a contragosto dos saudosistas de plantão, esse desenvolvimento continua ainda a todo o vapor.

Dessa forma, se você ainda permanece irredutível no time que cultua a invenção do “Synchronized Tremolo” por Leo Fender ou o cânone maior da Gibson — o lendário modelo Les Paul —, então siga por este artigo. Aqui, o Tecmundo resolveu dar uma conferida nas marcas, ideias e criações que podem facilmente se tornar as pioneiras daqui a alguns anos.

(Fonte da imagem: Divulgação/Misa Digital)

É claro que, entre a futurística Kitara e uma ponte capaz de transformar a sua guitarra em uma bateria, há apostas das mesmas marcas que deram as direções predominantes à guitarra elétrica nos seus primórdios. Afinal, o que dizer da Gibson Robot Guitar e da parceria entre a Fender e a Roland?

Embora pareça pouco provável que a guitarra de amanhã possa preparar o seu café e limpar o banheiro... Ela talvez não passe assim tão longe disso. Vamos à lista.

Smart Guitars

Smart Guitars é o nome que levam guitarras capazes de funcionar como uma espécie de laboratório ambulante. A proposta aqui é bastante simples: incorporar o máximo de funcionalidades em um único instrumento musical — entre afinadores, efeitos de som e simulações de tipos diferentes de captadores.

A atual indústria traz algumas boas propostas para esse conceito “Inspetor Bugiganga” — umas mais acessíveis, outras nem tanto assim.

Gibson Firebird X

Pela bagatela de US$ 3.999 (aproximadamente R$ 8.130), a nova Gibson Firebird X traz consigo praticamente tudo o que o multifacetado músico moderno pode precisar. O preço parece exagerado? Bem, pode ser. Mas não se trata aqui simplesmente de um modelo Firebird.

Na verdade, além de uma bela guitarra com acabamento digno de uma Gibson top de linha, o modelo “X” traz na bagagem chorus, delay, reverb e até mesmo distorção. E não se deixe enganar pelo formato “mini-humbucker”: a Firebird X é capaz de emular qualquer formato de captador — recriando até mesmo timbres de violões.

Como uma evolução natural da primeira Robot Guitar da companhia, a Firebird X também é capaz de se “autoafinar” rapidamente. Além da forma convencional — Mi, Si, Sol, Ré, Lá e Mi, da corda mais fina para a mais grossa —, os servos motores do modelo também podem criar instantaneamente afinações abertas (formando acordes) ou com cordas “dropadas” (afinadas abaixo do tom usual).

Line 6 JTV-59

A JTV-59 é a última geração da já consolidada família “Variax”, da Line 6. Assim como nos modelos anteriores, a ideia aqui é congregar uma infinidade de timbres em um único instrumento.

No total, o modelo simula 28 sons, entre violões e guitarras. Há de tudo um pouco: da clássica Gibson ES-355 ao som característico de um violão Guild de 12 cordas. Embora não traga efeitos adicionais, o preço é um tanto mais palatável do que o de modelos como o Firebird X. Trata-se de US$ 1.299 (cerca de R$ 2.640).

Roland G5 Fender Stratocaster

Talvez a sua ideia de uma Strat não incorpore elementos digitais. Para os menos puristas, entretanto, a Roland G5 Fender Stratocaster pode bem ser uma boa pedida — uma espécie de “pau para toda obra”.

Por US$ 1.299 (cerca de R$ 2.640), essa interessante mistura entre uma Stratocaster American Standard e a tecnologia de modelagem da Roland, a COSM (Composite Object Sound Modeling), a G5 inclui afinações alternativas, diversos formatos de captadores (de uma Telecaster a um humbucker clássico)... E o som tradicional de uma Stratocaster, naturalmente.

Peavey AT-200

Caso a sua única preocupação com uma guitarra seja a de mantê-la afinada, então a Peavey tem uma bela oferta para você. Na verdade, os afinadores robóticos são realmente a única funcionalidade desta guitarra de US$ 499 (aproximadamente R$ 1.015).

Assim como outros modelos mais caros, também é possível utilizar afinações alternativas. Em termos “materiais”, trata-se de uma guitarra com dois “humbuckers” e madeiras relativamente leves.

Uma guitarra, um saxofone, uma bateria...

Se mudanças de timbres, captadores e adições de efeitos de ambiência não são suficientes para as suas necessidades do dia a dia, então invenções como estas devem fazer as suas sobrancelhas levantarem — ou baixarem, em alguns casos.

Quer dizer, soar como uma Telecaster e como uma Gibson ES-335 ao toque de um botão é interessante. Mas que tal ter também disponível um som de saxofone, de bateria ou sabe-se lá o que mais?

Fishman Triple Play

Triple Play é o novo controlador de guitarra wireless da Fishman. Sim, você provavelmente já ouviu uma guitarra soando como saxofone, trompete ou xilofone anteriormente. Na verdade, a grande vantagem aqui está na praticidade do conjunto formado pelo periférico e pelos programas do Triple Play.

Basicamente, a ferramenta permite uma integração entre guitarra e qualquer instrumento virtual (ou sistema de hardware). O resultado é uma infinidade de timbres, acessíveis em qualquer palco. Trata-se também de uma bela ferramenta para gravações. 

Roland GC-1 Fender Stratocaster

A Roland GC-1 Fender Stratocaster é mais um casamento entre o clássico e o (relativamente) moderno. Além de uma bela Fender American Standard, o modelo congrega também um controlador de sintetizador.

A “magia” aqui vem do sistema de captação GK-3, o qual permite que você controle vários sintetizadores da Roland via conector de 13 pinos. Os limites de sons e timbres são apenas os do próprio sintetizador.

Ao infinito e além!

Afinadores motorizados e guitarras com som de violino são algo interessante, é claro. Mas será esse o limite? Não é o que parece. Embora tocar piano, guitarra e ocarina em smartphones ainda seja algo um tanto “vanguardista”, fato é que diversos fabricantes têm mostrado o que podem ser os próximos passos de uma aliança entre a tradicional guitarra elétrica e diversas tecnologias de última geração. Confira alguns exemplos.

Antares ATG-6

Tarraxas confiáveis representaram um belo salto tecnológico. As mecanizadas foram adiante, é claro — afinando a sua guitarra automaticamente em questão de segundos. Mas... E se você nem mesmo precisasse afinar o seu instrumento? É aí que aparece o projeto da Antares.

Para quem não conhece, trata-se aqui do mesmo pessoal que desenvolveu o sistema Auto-Tune — que garantiu o sucesso de muita celebridade por aí (embora seja melhor não comentar). Basicamente, o software identifica quando a sua guitarra sai de afinação e faz as correções em tempo real. As notas simplesmente vão para os seus devidos lugares.

Guitarra com lasers

A tecnologia patenteada pela alemã M3i denominada “Laser Pitch Detection” (LPD) talvez não ocupe o mainstream do mercado de guitarras assim tão cedo. Mas é algo que realmente chama a atenção.

Trata-se de um sistema que identifica as posições dos seus dedos no braço da guitarra por meio de um sistema de lasers, sendo um para cada corda. Sim, a guitarra ainda pode ter cordas físicas (conforme mostra o vídeo acima), só que isso é mais por uma questão de familiaridade — o sistema funciona perfeitamente em uma guitarra sem cordas.

E o mais impressionante: o sistema detecta até mesmo a pressão dos seus dedos sobre o braço do instrumento. A tecnologia “Pressure Sensing Coating” faz a medição com base na área do dedo que entra em contato com a madeira — levando em consideração também a força.

Kitara

A criação da Misa Digital Instruments já não é propriamente uma novidade — embora certamente ainda chame a atenção quando alguém manda um vídeo pelo YouTube. Ok, talvez o resultado aqui nem sequer seja mais uma guitarra. Mas não se pode negar que se trata de um instrumento musical com um bom potencial.

Trata-se, afinal, da primeira “guitarra” com interface totalmente digital. Você vai atacar as “cordas” por meio de uma tela oito polegadas — com sons que podem variar de acordo com a área tocada — enquanto a mão esquerda tenta se acostumar com os sensores do braço do instrumento. A Kitara conta com vários efeitos programáveis e também com bancos de timbres prontos.

Aprenda a tocar com LEDs

O Tabber pode ser adaptado a qualquer guitarra. Na verdade, a ideia aqui não é alterar efeitos ou timbres. Trata-se de uma proposta didática.

Quando conectado a um smartphone, o sistema faz iluminar o braço do instrumento de acordo com as notas que são tocadas na música — muito melhor que os tradicionais adesivos que acompanhavam alguns livretos para principiantes.

Imprima a sua própria guitarra

Sim, você leu corretamente. O que a companhia de desenvolvimento de produtos One.61 divulgou no início desse ano é a possibilidade de imprimir a sua própria guitarra utilizando uma impressora tridimensional.

(Fonte da imagem: Reprodução/Forbes)

E há uma vantagem óbvia aqui: a sua guitarra pode ter um visual absolutamente exclusivo — talvez algo baseado em um desenho da época do primário, que tal? Naturalmente, outros instrumentos também podem ser criados por meio da onipotente impressora da One.61.

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