A briga entre DirectX e OpenGL já tem longa data. Por muito tempo, as duas APIs se digladiaram, contudo, os games forneciam opções para o usuário definir qual tecnologia preferia utilizar. Nos últimos anos, a história mudou, foi o período de glória do DirectX, garantido graças aos jogadores e desenvolvedores que definiram o Windows como sistema ideal para jogos.

Agora isso está para mudar. O OpenGL sempre esteve na corrida, porém, nunca se imaginou que ele se tornaria a potência que demonstra ser atualmente. E por isso, o Tecmundo apresenta hoje alguns motivos para você compreender por que o OpenGL pode matar o DirectX.

Nota do editor

A ideia inicial era criar um artigo da série Versus, porém, não tivemos argumentos suficientes para manter o DirectX na briga. Assim, tomamos nossa posição nessa disputa, mostrando a superioridade do OpenGL.

Vale salientar, no entanto, que de maneira alguma menosprezamos o potencial da API da Microsoft. Nosso objetivo com este texto é destacar o potencial que o OpenGL vem demonstrando e como ele pode ser a API máxima num futuro próximo.

Também deixamos claro aqui que em todo nosso texto nos referimos ao DirectX como um todo, porém sabemos que a API concorrente do OpenGL é o Direct3D. Não abordaremos neste artigo aspectos muito técnicos, tampouco a grande campanha de marketing em cima da tecnologia da Microsoft.

Os 5 diferenciais do OpenGL

1) O mercado profissional de animações dá preferência ao OpenGL

Você já viu algum filme da Dreamworks, da Pixar ou de outras empresas famosas de animação? Se você respondeu sim, então é porque conhece uma das melhores aplicações do OpenGL. Empresas como essas usam softwares baseados no código do OpenGL para criar e renderizar as animações.

Claro, atualmente alguns programas usados pela Disney e pela Pixar, por exemplo, já têm APIs próprias. Contudo, o Renderman, aplicativo da Pixar, é muito semelhante ao OpenGL, com a pequena diferença de que a renderização não é realizada em tempo real. Também podemos incluir na lista de animações o famoso Big Buck Bunny, um curta criado com o Blender (aplicativo que usa o OpenGL).

2) Jogos para smartphones são baseados no OpenGL

Sabe os joguinhos do seu iPhone? Então, eles também são criados com base na API OpenGL. Os games para Android não ficam para trás, desfrutando de todo o potencial dessa biblioteca de código aberto. E, claro, não somente os jogos são compatíveis, mas o hardware dos aparelhos também.

Chips gráficos, como o famoso NVIDIA Tegra 2, comprovam o grande trunfo da qualidade dos games com OpenGL nos portáteis. Smartphones com Android e GPUs mais avançadas podem aproveitar jogos de alta qualidade, tudo porque o hardware tem capacidade de trabalhar com uma versão mais recente do OpenGL ES (versão aplicada para dispositivos específicos, como smartphones e consoles).

3) Uma plataforma de código aberto

OpenGL significa “Biblioteca Gráfica Aberta”, ou seja, este software é uma API de código aberto. Isso quer dizer que ele pode ser usado por qualquer um e manipulado do jeito que for necessário. Com isso, o OpenGL pode ser aproveitado em diversos produtos e por muitas empresas.

(Fonte da imagem: Divulgação/OpenGL.org)

Entre tantas, temos a Nintendo, a Sony, a Apple, as distribuições Linux e muitas outras. No Ubuntu, por exemplo, o OpenGL é utilizado até na interface gráfica, principalmente quando o Compiz está ativado. Já a Nintendo e a Sony aproveitam o OpenGL de maneira diferente, adaptando o software para seus consoles.

4) Consoles como PS3 e Wii utilizam o OpenGL

Aqui sim chegamos ao ponto que interessa aos fanáticos por gráficos de alta qualidade. O OpenGL é um competidor que pode esmagar o DirectX. Afinal, se considerarmos a quantidade de jogos para o PlayStation 3 e para o Wii, podemos ter uma ideia do tamanho do catálogo de games que usam o OpenGL.

De maneira alguma damos todo o mérito dos gráficos ao OpenGL, afinal, cada jogo possui uma engine específica. Além disso, temos de considerar o hardware dos aparelhos, que são os verdadeiros responsáveis pelo trabalho duro. Contudo, se você pensar em Heavy Rain, Uncharted 2, Super Mario Galaxy 2 e tantos outros, você pode ter uma noção do poder do OpenGL!

5) PlayStation Vita e Wii U apostam no OpenGL

A batalha entre as duas plataformas não acabou. Como último motivo de nossa lista, colocamos as futuras plataformas que vão adotar o OpenGL. Até o momento, sabe-se que o PlayStation Vita e o Nintendo Wii U contarão com jogos baseados em OpenGL.

O Vita promete ser quase um PlayStation 3 portátil. Os títulos demonstrados para o novo console da Sony dão uma boa ideia da qualidade gráfica que poderemos carregar no bolso. Já o Nintendo Wii U vai ter jogos com gráficos melhores do que vemos no Xbox 360 e no PlayStation 3, isso graças à placa gráfica AMD e ao OpenGL.

A luta vai longe

Que o OpenGL tem potencial, ninguém pode negar. Entretanto, o DirectX continua forte, marcando presença em diversos dispositivos. A briga entre os dois está apenas começando e a maioria dos jogos com gráficos de alta qualidade para PCs ainda são baseados na API da Microsoft.

(Fonte da imagem: Divulgação/Microsoft)

Também não menosprezamos os smartphones com Windows Phone 7. O hardware desses dispositivos é de alta qualidade, assim como os jogos baseados na API Direct3D especial para portáteis. Se os gráficos dos games para Windows Phone 7 são melhores, somente com muitos testes para dizer. Entretanto, a qualidade da Microsoft é inegável, fator que deve garantir uma boa briga num futuro próximo.

A chegada do DirectX 11 aqueceu a luta no mercado dos jogos e ainda não há como saber o que o futuro Xbox e smartphones com Windows trarão. A realidade é que a melhor qualidade em games para PC ainda parece estar nas mãos da tecnologia da Microsoft.

O futuro é OpenGL

Talvez o OpenGL não mate o DirectX, pois no que diz respeito ao Windows, os jogos ainda devem continuar utilizando a API (Direct3D) da Microsoft. Contudo, o OpenGL vai se tornar cada vez mais popular e é possível que os próximos games, inclusive para Windows, utilizem a 4ª ou 5ª versão dessa tecnologia de código aberto.

Enfim, todos os motivos que comprovam a superioridade do OpenGL convergem para um mesmo ponto: programas baseados em código aberto podem ser tão bons ou até melhores do que os softwares proprietários. O futuro? Vamos ter de esperar para ver!